segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Não vou mais vender melôs manjadas de Karaokê.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Tempo.


Tempo esse que passa, tempo esse que não espera. Tempo que lota, que esvazia, que muda.  De tempos em tempos muda de cor, de forma. Hoje ele bate, martela, mostra que está correndo, que já está de partida. Hoje ele bate e cada batida me faz lembrar do tempo que ainda falta, do tempo que sobra, do tempo que coexiste com a distância. Agora tenho andado só, apenas o tempo me faz companhia. Não lembro bem, mas acho que ontem também era assim. Tic-tac, tic-tac, tic-tac. Você também pode escutar? É o tempo dançando ao ritmo das batidas do meu coração; que bate forte, bate urgente. Quer um pouco mais de tempo, quer que o tempo passe. E pesarosamente o tempo passa, muda, eu espero, ele nada espera.  Apenas passa, volta, lembranças mostra. Passa tempo, volta tempo. Quanto tempo ainda falta, quanto tempo ainda resta?

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sentir.


Há muita coisa inexplicável no mundo. Coisas as quais possuem uma comunhão perfeita e por isso não necessitam de mais nada. De sinônimos, de antônimos, de palavras, símbolos, representação... Não precisam de nada disso. Elas existem e simplesmente sabemos disso, na verdade não sabemos de nada mais além. E é bom, muito bom isso. Essa simplicidade, cumplicidade, harmonia. Eu não preciso fazer nada além de te olhar pra você entender que quero seu abraço, seu carinho, um momento de silêncio nessa paz que você me traz. Toda vez que te vejo sinto uma coisa estranha, como esse montão de coisas sem causa, que não podem ser vistas ou tocadas, apenas sentidas; sinto uma porção de coisas incríveis toda vez que estamos juntos, abraçados. E isso é lindo, tão lindo que não há tempo que mude ou acabe isso. Eu ainda consigo ouvir cada batida do seu coração entrar no compasso descompassado da minha respiração. Eles são a harmonia, a saudade apertada, a vontade de ficar junto. É a nossa comunhão, esse laço disfarçado, essa coisa complicada de tão simples que é. Sentir...

sábado, 16 de outubro de 2010

Roda gigante.


Você faz eu me sentir tão bem, como se nada de ruim tivesse acontecendo. E faz tão pouco tempo... Eu lembro, eu chorava quando te encontrei. Meu coração estava partido e eu não conseguia ver nada. Só as lágrimas...

Mas agora me sinto segura pra sorrir. Será que posso ser feliz de novo? Não sei... Mas você me faz querer tentar. É como em uma roda gigante, eu posso ver o mundo de cima e ele não me parece ser tão ruim. As cores, consigo ver todas elas, cada uma delas. 

Eu vejo as pessoas sorrindo também. Vejo diversão, aventura. Desse ângulo as coisas parecem ser realmente boas. Mas e quando eu estiver em baixo? As coisas serão tão lindas assim? Você vai trazer minhas borboletas de volta? Eu vou querer amar você?

Tantas dúvidas... Mas você me faz querer tentar, mudar esse cenário, inventar uma nova história bem bonita de se contar. Eu não sei, mas o mundo parece girar e agora eu quero você perto de mim. 

Eu não sei, mas acho que estou sorrindo agora. Meus olhos brilham e não são as lágrimas, é alegria. Estou de novo viva. Me dê sua mão. Me deixe sentir o calor adentrar novamente em meu coração. 

Será um conto de fadas? Mostre-me os dragões! Mostre-me que posso ser feliz de novo e dessa vez de verdade. Segure minha mão, me faça flutuar de novo. Me faça descobrir em seus olhos essa nova razão pra viver. 

Eu já me sinto viva, mas meus pés ainda tocam o chão. Espero que nada mude quando eu não estiver mais no topo. Espero que esse não seja só mais um sonho meu. Espero que meu coração bata forte de novo, bata vivo, sem essa dor que o atormenta.

Toque meu rosto. Deixe-me ler sua alma. Deixe-me tentar te fazer feliz também.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Antigas (des)crenças.

Quando ficamos perto e eu fitei seus olhos, me perdi no seu olhar. Comecei a acreditar em uma porção de coisas... Em amor a primeira, segunda e terceira vista, já que me apaixonei por você em todas as vezes que te vi. Acreditei que podia voar, já que mal senti meu pé tocar o chão.

Brotaram inúmeras borboletas em meu estômago, não sei de onde elas surgiram, mas me fizeram sentir calafrios. Acho que comecei até a acreditar em destino, não tem como ser outra coisa. A gente tinha tudo pra ter se perdido um do outro, tínhamos tudo para não estarmos ali. Mas estávamos, não era um sonho. E como valeu a pena ter te esperado...

Feitiço.





Esse seu olhar quando me fita, estremece ate o mais insensivel dos meus estimulos, meu olhar tenta fugir, mas os seus olhos não o deixam escapar; não há como encontrar escapatória para uma coisa assim. Esses seus braços me prendem em um abraço perfeito, e me fazem perder as forças e até a vontade de escapar. Essa sua respiração me envolve e me faz perder toda a noção do logico, do ontem e do hoje; me faz perder o ritmo e entrar no seu ritmo, no seu compasso que me descompassa e me desnorteia. Esse seu sorriso que me tira as bases, os conceitos, me tira os pensamentos e não me deixa pensar em mais nada; me deixa cega, surda e muda para o que não tiver relação a você. Esse seu feitiço que me enfeitiça e me faz querer mais, mais palavras, mais olhares, mais momentos, mais você e eu. E nesse momento dois se torna um, numa matematica perfeita, sem erros, sem espaços, sem falta.


Achei esse perdido no meu outro blog que abandonei há tempos e me deu vontade de postar...

Teu reflexo.


Quando me olho no espelho começo a lembrar daqueles dias de verão há tanto tempo atrás. Aqueles quinze dias apenas. Foi nele que comecei acreditar que mágica existe e com ela, pessoas mágicas. Era o primeiro dia, tinha acabado de chegar de viagem. Depois de arrumar uma série de coisas fui à praia, a casa que eu estava ficava de frente a ela e era onde passaria meus quinze dias de paz.

Eu estava sentada na beira do mar vendo o céu e antes do pôr-do-sol, comecei a caminhar. Caminhava pela praia quando vi um par de pegadas que não me pertenciam. Olhei em volta e um pouco a frente vi alguém sentado na areia fitando o horizonte, tinha cabelos um pouco longos que balançavam com o vento. 

Eu não mais caminhei. Fiquei estagnada olhando aquela cena, o menino e o mar. Passou-se pouco tempo e então você percebeu que eu estava ali e virou para me olhar. Ficamos nos olhando por bastante tempo, eu diria, até que você sorrio e pôs a mão ao seu lado, como se estivesse me chamando para sentar. E eu fui.

Você me disse oi e foi ai que toda a magia começou. Começamos a conversar e parecíamos velhos amigos de infância, eu adorava sua capacidade de me fazer rir. O sol se pôs e eu tive que ir. Você segurou minha mão firme e foi comigo, caminhando até minha casa. Agora não tinha apenas um par de pegadas, eram duas, e como eu gostava disso... Você se despediu me dando um beijo no rosto, eu não queria te dizer tchau.

Mal nos conhecíamos e já fazíamos planos, um deles era de nos encontrarmos cedo, antes do sol nascer, na frente da minha casa. Eu fui, te encontrei. Demos um abraço longo, como duas pessoas que viajaram por muito tempo e só então se viram. Eu gostava disso. Sentamos na areia, eu encostei a cabeça em teu ombro e vimos o sol nascer juntos.

Os dias se passaram rápido, incrivelmente rápido. Em um piscar de olhos já era o décimo quinto dia e eu tinha que ir, eu não queria ir. Era como uma das minhas músicas preferidas de Los Hermanos: eu encontrei quando não quis mais procurar o meu amor. Eu não te procurei e te encontrei, e não queria ter que me despedir.

Tínhamos marcado uma hora para nos despedirmos, naquele lugar onde tínhamos nos conhecido. Eu cheguei e você já estava lá. Era como no primeiro dia, você estava sentado na areia fitando o horizonte, mas dessa vez tinha uma rosa na mão. Você se virou, me viu e foi ao meu encontro. Nos encontramos. 

Eu pulei em teus braços com os olhos marejados. Eu não queria te deixar, tinha muito medo de te perder. Você me disse algumas palavras sussurradas, e entre elas prometeu que me esperaria e então eu fui. 

É incrível como realmente sempre lembro dessa história todas as vezes que acordo e me ponho em frente ao espelho. Não é algo planejado, é que enquanto me olho sempre te vejo refletido ao fundo, dormindo. É lindo, tão lindo. É como se os sonhos se realizassem. 

Você me esperou e eu te roubei pra mim.