domingo, 27 de junho de 2010

Parallelepipeds.

Andava por essas ruas - sempre as mesmas ruas, sem muitas cores, sem muitos amores. Andava por andar, sem ver de certo para onde estava indo. Entre uma rua e outra era como se tivesse viajado para outros países, outros mundos; os pés andavam mecanicamente, enquanto a mente voava longe no céu. Em um fim de tarde, quando o sol - que parecia uma gema de ovo - se esvaia pelo céu, sentou-se em um banco qualquer de uma praça e o frio, cada vez mais forte, vinha de fora para dentro, de dentro para fora, numa sincronia ensurdecedora. Não sentira antes, mas era como se alguma coisa faltasse ou não se encaixasse direito. Não sabia se eram as cores, os amores, os sons ou os aromas que não mais sentia, ou se eram as formas que não mais se via, não tinha como saber. Contentou-se a continuar a andar, sem direção alguma, pelas mesmas ruas. Agora um pouco mais leve, não porque estava mais tranquilo já que essa falta inquietava seus pensamentos, mas porque agora havia um espaço vazio, como um dos paralelepípedos, que encarava pelas ruas. 

1 comentários:

Allysson Allan disse...

Os mesmos buracos quadrados que nos trazem torções, fico imaginando quem poderia viver sem teto em um buraco de paralelepípedo, ou quem teria a sensibilidade de descrever e digitar analogias ligadas à eles neste blog! Das duas opções fico com a segunda, e parabéns pela sensibilidade.