segunda-feira, 19 de abril de 2010

Dois.

- 1 frase, 3 palavras e eu sou sua.

Estava olhando fixamente para o computador, sem conseguir desgrudar os olhos daquela cena, daquele seu seriado predileto. Nada a desconcentraria até o telefone tocar. Pausou depressa e começou a resmungar algumas poucas palavras, mas viu o nome 'dele' e então seu rosto se encheu de felicidade.

Dizem que felicidade de pobre dura pouco... A essa altura ela já se sentia bem miserável. "Esse tom de voz...", ele não a enganara, por mais que lhe dissesse que não era nada, ela sabia que algo de ruim tinha acontecido.

- Fale o que aconteceu, eu te conheço e sei que não foi nada.
- Eu... - a voz dele começou a falhar e foi ai que ela sentiu seu coração apertar. - Eu não consigo.
- Então por que me ligou? - As palavras mal saiam, pois um nó se formou em sua garganta; isso definitivamente não era um bom sinal.
- A gente precisa conversar... - As lagrimas que já estavam se formando, explodiram em seu rosto.
- Ok, te encontro na praça em 30 minutos - Falou rapidamente e desligou.

Sua mente voava a mil, ela temia que seu pensamento fosse verdade; não queria aceitar, não podia. Ele era o amor de sua vida, poderia até não ser, mas era nisso que ela acreditava. "Fim", quanto mais ela pensava, mais chorava, mais queria sumir. Ficou deitada na cama, chorando, até ver a hora. "Só tenho mais 15 minutos...". Lavou o rosto, colocou um casaco e foi caminhando vagarosamente pela rua, até a pracinha aonde eles iriam se encontrar.

Andava com a cabeça baixa, não conseguia e nem queria pensar em nada, seus olhos pesavam e ela se sentia tonta. Chegou à praça e avistou aquele par de olhos que pareciam um oceano de tão azuis, de tão molhados. Suspirou longo e foi até ele; bom tempo se passou enquanto eles se fitavam com o olhar. O silêncio era perturbador, ela não aguentava mais isso, então falou as palavras rapidamente, como quem cospe uma comida azeda.

- Me fala que não é o que eu... - Ele não a deixou completar, apenas passou a ponta dos dedos em seu rosto e fitou o vazio.
- Dois meses.
- Não pode ser... Dois meses? Como? Eu não posso acreditar... E-e-eu... - Os pensamentos a deixaram atordoada e ela não conseguia digerir o que lhe foi dito, era a tão temida confirmação.

Ele a puxou para ele e a abraçou forte, como quem se despede, como quem suplica por mais tempo, tempo esse que ele não tinha. Ele não a conseguia encarar, ele não conseguia falar tudo que tinha pra falar, mas era necessário.

- Pode não parecer, mas esse não é o fim, não o nosso fim. Com você eu aprendi o que é amar, aprendi a me tornar uma pessoa melhor, o melhor pra você. Você é minha vida e a amo minha pequena.

Ela não conseguia falar mais nada, o câncer - palavra que tão bem aprendeu a odiar -, ia tirar o que ela mais amava, a sua felicidade, a pessoa com quem ela fez planos e dividiu uma história, seu próprio conto de fadas. Nada mais foi dito... A única coisa que se ouvia era um choro baixo, profundo, dolorido. Um não, dois.

6 comentários:

Fábio Costa disse...

Demorou hein mais valeu pq veio em dose dupla =). Muito massa esse conto. Muito estigante a história e muito realista em todos os detalhes. Conta a verdade essa história aconteceu mesmo?? Parabéns =*

yasminlima ; disse...

não, aconteceu não OSIDOSIDOSO fruto da minha imaginação inutil às 3hrs da manhã *.*

samara disse...

Menina adorei o poema e o conto. Xeroo

Ielison disse...

Ainda fala de mim! ¬¬'

yasminlima ; disse...

os seus são MILHÕES DE VEZES MELHORES que os meus, nem vem

Monique disse...

amg que linda historia *_*